Nova dublagem para Chaves em DVD
O site Herói acompanhou a nova dublagem para o DVD do Chaves. Leia a matéria de Ricardo Cruz.

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 Nelson Machado
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"Gentalha, gentalha!"
"Este foi o `gentalha! Gentalha!` inaugural!", anunciava Nelson Machado, dublador do Quico, dentro do estúdio, a poucos instantes de, vinte e um anos depois, começar a gravar de novo as falas divertidíssimas do bochechudo. A maioria dos episódios que vão estar nos DVDs de Chaves e Chapolin, foi rodada em 1973, a primeira fase dos seriados. Esse bloco traz histórias que, se não são inéditas, já estão na lista dos perdidos, que é como os fãs chamam os esquetes que o SBT não exibe há vários anos.
A Amazonas Filmes, empresa que topou lançar a caixa, está tão cuidadosa em relação à redublagem que chamou o fã-clube Chespirito Brasil para assessorar os diretores com o texto das séries, cheios de bordões clássicos e nem sempre fiéis ao espanhol. "Muitas das piadas e bordões foram criados nos estúdios da MAGA, que fez a dublagem clássica dos programas", explica Gustavo Berriel, presidente do fã-clube que mora no Rio, mas veio para São Paulo só para acompanhar o projeto. "É a realização de um sonho".
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 A equipe de dublagem
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A adaptação dos textos é um trabalho necessário e que só pode serfeito por quem tem intimidade com o universo criado por
Roberto Bolaños e conhece bem as falas criadas na época da MAGA. A moeda vigente na vila, por exemplo, não são Reais e sim "mangos". O xingamento oficial é "besta" ou "burro" e, muitas vezes, o
Chapolin Colorado ganha o apelido de
Vermelhinho. Um dos episódios que deram mais trabalho de adaptação foi o
"Folclore Japonês", em que uma gueixa (
Florinda) pede socorro ao Chapolin porque não quer se casar com o samurai
Shimpato Yamazaki. No roteiro traduzido, quando o pai da gueixa (
Madruga) se aproxima do Chapolin e pergunta "Hiroshima, Nagasaki?", ele responde: "Monte Fuji, trem bala". A frase foi trocada pelo texto antigo, em que o Chapolin contra-atacava com "Campinas, Araçatuba" - muito mais engraçado.
Apesar de essas alterações serem importantes e garantirem o clima de nostalgia do humorístico, para Nelson Machado, é preciso ter cuidado em escolher o que vai ser mantido e o que pode ser consertado. "É claro que os bordões e termos consagrados devem ser mantidos. Eu traduzi metade dos episódios de Chaves e Chapolin na época e gostaria de poder arrumar algumas falhas em vez de concordar com elas", explica. "Seria a mesma coisa que refilmar Spartacus e manter o soldado usando relógio de pulso".
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 Tatá Guarniei
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Outro ponto delicado foi a escolha da voz de Roberto Bolaños.
Marcelo Gastaldi, o dublador, original, morreu em 1995. Ele tinha um timbre único e sua voz soava bastante natural, o que gerou preocupação por parte dos diretores da dublagem, pois se o Chaves e o Chapolin ficassem com jeito de personagens de desenho animado, muita gente estranharia. Foi feito um teste e
Tatá Guarnieri ganhou os papéis e a responsabilidade de substituir Gastaldi. "Estou muito apreensivo com este trabalho. Ele me cansa o triplo em comparação a uma dublagem comum, pois aqui tenho que zelar por um clássico. Não posso fazer do meu jeito, tenho que me aproximar do trabalho feito por um dos maiores dubladores que o Brasil já teve", conta Tatá, discípulo de Gastaldi. "Uma vez, quando estava começando, estava gravando e fiz alguma coisa errada. Ele parou tudo e me mandou sair do estúdio aos berros, falando que ia me mostrar como se faz. Sentou lá e fez tudo rapidinho. Depois, colocou a mão no meu ombro, sorriu e falou: `Viu? agora vá lá e tente outra vez`. Ele era fantástico". Além de Gastaldi,
Mario Vilela, o
Seu Barriga, também não pôde participar por motivos de saúde. Ele foi substituído por
Fadu Costha, cujo timbre lembra bastante o de Vilela. O comentário geral era de que muita gente nem perceberia a mudança, tamanha a proximidade das vozes.
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 Carlos Seidl
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Essas foram as únicas alterações no elenco clássico. Cecília Lemes continua chorando escandalosamente como a
Chiquinha. "Fico até emocionada em voltar a gravar a Chiquinha depois de tanto tempo. Acho que
Chaves será sempre, sempre um grande sucesso", comenta a dubladora. Já
Carlos Seidl, o gogó do rabugento
Seu Madruga, enfatiza que se passaram 21 anos e que sua voz sofreu mudança. "Minha voz, com o tempo, ficou um pouco mais aguda. Espero que ninguém se incomode com isso".
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 Marta Volpiani
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"Para aí, vamos refazer essa. Sempre que eles falam `menos mal`, em espanhol, nós dublávamos para `ainda bem`. Pode gravar". Foi assim que
Marta Volpiani, a
Dona Florinda, adaptou uma passagem do texto, lembrando de quando ela e os colegas fizeram os mais de duzentos episódios das duas séries nos anos 80. "É impressionante como as piadas continuam afiadas, mesmo depois de tanto tempo. Às vezes, dá vontade de rir durante a gravação", releva. Ah, claro, o par romântico de Florinda, o professor
Girafales, continua com a voz de
Osmiro Campos, que interpretou o grandalhão em quase todos os esquetes clássicos - a voz inicial de Girafales era a de
Potiguara Lopes, que faleceu depois de gravar poucos episódios.
Fonte: Herói.com.br